Feliz ano novo

Eu saio desse ano com 30 anos. E isso se marcou na minha pele ao longo dos últimos 365 dias. Durante esse tempo, lembrei da minha história toda (inclusive dos pedacinhos mais doloridos), perdi minha vó, mudei de cidade, celebrei meu filho e tive muitas dúvidas (muitas dúvidas). Trabalhei de forma insana, aprendi e me frustrei muito. Ri até a barriga doer, fiz bolhas de sabão, vi o mundo pelo meu filho e vi menos o mar e a família do que gostaria. Viajei pouco, como já tinham me antecipado que aconteceria. Também li menos do que havia planejado ler. Fizemos da nossa casa um lar, vimos o bebê aprender a correr, tentamos aproveitar todos os segundos da melhor maneira que pudemos. Fizemos nosso melhor. Eu fiz o meu melhor. 

Embruteci, mas me sinto mais leve. 

Entendi que minha família é humana. Que eu posso ajudar apenas se as pessoas me pedirem ajuda. Que oferecer ajuda demais pode ser visto de forma errada. Que eu sou forte demais. E que as coisas nem sempre são justas. 

Como a gente reage sobre as coisas diz mais sobre a gente do que sobre as coisas, e eu reagi bem mal a muita coisa nesse ano que passou. Vi a fragilidade dos meus pais, vi meu filho ficar um pouco doente, e agradeço até agora por tudo ter dado certo. Aliás, gratidão é a palavra do ano. Da vida. Eu sou grata, demais. A tudo.

Obrigada, vida, por mais um ano, que me ensinou, entre tantas outras coisas, a me perdoar. Que 2017 termine leve, que 2018 seja amor e fé. Até. 

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8 meses

O tempo corre, e agora que você está aqui isso é muito mais claro.

É óbvio que a gente não vai conseguir fazer tudo. É claro que a gente precisa escolher, priorizar, decidir onde vai depositar o amor e as energias porque nada é infinito. Tão pouco tempo e você tá me ensinando o que eu não aprendi sozinha em quase 30 anos.

Eu não escrevi no mês passado porque tava tudo tão zoneado que essa não foi uma prioridade. Escolhi viver à lembrar depois. Hoje deu vontade de escrever, enquanto você mama me abraçando – uma das melhores sensações do mundo. Escrever pra depois lembrar que passou rápido demais e eu tava olhando pra uma tela quando deveria estar olhando pra você.

Agora você já tenta ficar em pé e andar sozinho, mas você mal engatinha direito. Você brinca de encaixar peças do jacaré, tenta comer sem ajuda e abre o sorriso mais lindo do mundo quando está se divertindo. E ai eu abro o meu, meio torto e que só não é ainda mais raro porque você tá aqui.

Se tem algo que você me ensinou, além da finitude do tempo, é o poder de um sorriso.

20/16

2016 começou sonolento depois de uma ceia vegetariana  maravilhosa, eu dormindo no quarto da roomie da amiga que organizava a festa de boas vindas ao ano que foram na verdade cinco anos e que mudou minha vida num tanto que eu ainda não consegui medir (mudou pra melhor, que fique claro).

2016/1

No primeiro ano reproduzi bastante o que eu fiz na celebração de reveillon: dormir. Arthur tava aqui dentro, eu tava ansiosa (novidades), eu tava trabalhando muito, eu dormia sempre que sobravam 10 segundos. E eu não comi carne. Foram uns meses a base de shimeji e vinagrete. Bons meses, aliás, nos quais eu avancei na minha pesquisa e qualifiquei (e isso foi tudo do mestrado que eu fiz no ano), e me organizei pra mudar de cidade – e parir. Fiquei internada no caminho, mas ossos do ofício. E por falar em oficio, achei que ia surtar na licença maternidade – mas surtei foi pra voltar dela.

2016/2

Mudamos de cidade. Acabou a mudança, trabalho estava relativamente organizado, começaram as contrações. E eu nunca entrei de fato em trabalho de parto. Ano 2 me ensinou que a gente não controla é nada nessa vida, e eu não pari como planejei. Arthur chegou dando inicio ao ano 3, numa cirurgia não muito bem processada até hoje, depois de 41.5 semanas de espera.

2016/3

Brother, bateu. Bateu a ideia de que um ser minúsculo depende de mim pra tudo. De que eu nunca mais vou dormir 3h seguidas. De que sexo agora é quando dá, não só quando a gente quer (e eu não queria nem podia, essa não era uma questão). Bateu a dor, bateu o medo e cresceu um amor que não dá pra explicar. Todo tempo do mundo era pouco. E eu dormi tão pouco, li tanto e vi tanta série que, quando dei por mim, tinha acabado a licença e começava as férias e meu neném não era mais pitico e eu definitivamente não queria largar dele por nada. Voltar ao trabalho virou uma questão tão louca quanto não me definir mais pelo meu trabalho; consciente também de que eu não poderia me definir pela maternagem e na confusão por não ter ideia de como me definir.

2016/4

Voltei ao trabalho carregada de culpa. Culpa por não ser uma boa mãe, culpa por não ser a profissional dedicada que eu estava habituada a ser, culpa or não ser uma boa parceira, culpa or estar fazendo mil coisas que eu não queria fazer, culpa por não me sentir bem equilibrando esses papéis e as contas e o medo que se amontoavam na minha cabeça. 1 mês até as férias, longe de casa, acolhida na casa dos outros. Voou. Mas um mês nunca passou tão devagar.

2016/5

A casa uma zona que eu precisava por em ordem por uma questão de sanidade mental. Um bebe no peito sempre que possível, me fazendo rir. Planos. Despedidas e desapegos. Um monte de coisa não dita pra evitar o confronto, e que vai morder meu pé enquanto eu não botar pra fora. Tem sido intensa essa despedida de 2016. Tão intensa como foi o ano.

2016 não foi fácil. Mas foi bom, muito bom. Que em 2017 as coisas sejam mais leves, que tenham mais e mais sorrisos e muita saúde  e que eu finalmente aprenda a dizer não para o que não faz sentido pra mim. 

Feliz ano novo 🙂

oi 2017, como você tá?

Por mais planos e mais sonhos, esse era o moto. Por mais amor e mais viagem e mais sorrisos. E por mais livros, também. E por escrever um pouquinho mais e se preocupar um pouquinho menos. Por mais abraços. Por mais “eu te amo”. Por menos gente triste e por muito menos falta de respeito. Por mais delicadezas. Por mais espontaneidade. Por um ano novo tão incrível quanto a gente conseguir se emocionar.

Semestre 1

Cê chegou tão pitico e roxo e eu te achava enorme e gigantesco e frágil, apesar disso soar descompasado. E ai cê foi crescendo rápido e num tanto que hoje, seis meses depois, eu consigo ver que você era de fato minúsculo quando chegou.

Há seis meses, eu não tinha a menor ideia do que estava por vir. Eu não tinha noção de que dá pra amar tanto outra pessoa. Tá sendo bom aprender tudo com você.

Quase completamos os 6 meses de aleitamento exclusivo, não fosse pelo pêssego que você roubou e eu deixei e ai tudo desandou. Você experimentou cenoura e mandioquinha (lambida, só). E desde a semana passada come frutinhas (banana, pera e manga sendo as favoritas).

Você senta, também. Quase sozinho, aliás. E agora você conversa na sua lingua (eu juro que ouvi um mamã, mas era só você falando e mordendo o dedo ao mesmo tempo).

Esse último mês fou dificil. Não te ver o tempo todo é um horror. E foi corrido, também, isso de sair pra dar peito e trabalhar e voltar a funcionar num mundo de outras pessoas. Mas a gente eventualmente acha o equilíbrio.

Larga meus óculos, cara de melão. A mamãe te ama.

Domingos

Dá saudades dos domingos preguiçosos com chuva na janela e gatos trançando as pernas e se aninhando no peito e ocupando a cama. Dá saudade o cheiro de biscoito assando, quase prontos, esquentando cozinha e alma. As plantas sorridentes, as ervinhas, o nosso canto com a nossa bagunça organizada. Nossos sorrisos e maratonas de séries melecadas de sorvete e pipoca. Nosso canto. Saudade meio inexplicável do que esta por vir também, aquele misto de anseios e medos e certeza de que será bom, porque tem vocês e é pra vocês que eu volto depois de tudo. Se é com vocês que eu passo meus domingos preguiçosos, tudo há de se ajeitar.

5 meses

Dezembro começou um caos maior do que a cabeça da mamãe, e só agora – 1 semana depois – tá rolando escrever. 5 meses já, filho. 5 deliciosos e fofinhos meses.

Já tem dente (2), abraço, e umas tentativas de sentar e minhocar por ai. Tem umas mordidas bem doloridas que resultam em autocrítica entupida de preconceito, e parece que jájá vem mais dente, então tenho orado pela integridade do meu peito (sem ele é difícil te amamentar, afinal). E você também já aprendeu a ser bem claro sobre quando quer ou não ir no colo de alguém – e dói quando você não quer vir no meu.

Isso de você não querer vir comigo tem sido mais frequente. Acho que passar tanto tempo fora – pra gente que era tão grudado qualquer 3horinhas é muito tempo – tem feito você entender que você não precisa tanto de mim assim. E tem me feito entender que eu preciso de você mais do que qualquer outra coisa. A angústia da separação, no fim, é mais da minha do que sua – e ok, prefiro eu ficar zoada do que te ver tristinho.

Seguimos na amamentação que só não foi exclusiva porque você deu pra roubar comida do prato e eu deixei (era melão, não me julguem); e isso dos mamas só tem sido possível porque seu pai é uma pessoa incrível e a mamãe tem uma certa flexibilidade de horários. Espero que a gente possa continuar assim, mamando, porque se eu não puder fazer nem isso as coisas vão ficar bem mais chatas pra mim – estou ciente de que no mês que vem já teremos comidinhas, não é de exclusividade que eu tô falando.

5 meses, meu amor. Tá passando rápido demais.

 

4 meses

O tempo voa, filho. Eu mal pisquei e você completou risonhos 4 meses. Você rola mais ou menos, tenta se arrastar, conversa, tira a fralda, gargalha e faz bico pra chorar. E gosta de ver livros, enchendo a mamãe de um orgulho que não cabe no peito. 

Chegamos nos quatro meses com você no seio, e assim quero manter. Faz bem pra você. Mas acho que faz mais bem pra mim: me ver nos teus olhinhos, saber que eu te ajudo a crescer, ficar em paz. Eu tinha tanto medo de não ter leite. Seu parto não foi do nosso jeito, sua alimentação é. Talvez por isso a ideia de voltar ao trabalho doa tanto – e se você largar? E se você passar fome?

Em poucos dias a gente vai ter que desgrudar, e eu definitivamente não tô pronta. A ideia dói, mais do que a noção de que temos que mudar de novo.

A mamãe não tá bem, e você me ajuda a ficar melhor. Obrigada por assumir essa responsabilidade (imputada) do alto de seus 65 centímetros. Você é  incrível, princesinho. Espero ser uma mãe boa e te fazer tão bem como você me faz. E espero que você entenda porque te chamo de princeso, mesmo que essa palavra não exista nos dicionários.