Acordou com o habitual barulho de carros e uma claridade incompreensível praquela hora da manhã. Deu se conta que não era mais aquela hora da manhã. Pulou, vestiu-se na velocidade da luz e correu pra cozinha pra cortar um melão e preparar o chá de todo dia (sabotava a academia pra dormir, mas o café da manhã jamais), com a certeza de que não sairia do trabalho antes das 21h e de três horas de bronca. Na afobação de quem respira fumaça e chuva 5 dias por semana, esqueceu-se de olhar pro lado. E nem notou que abotoara a camisa errado, e quase alcançava a porta com pés trocados nas sapatilhas diferentes. Não fosse ele aparecer segurando as paredes e a pressa, ele e a cara de quem precisava de pelo menos mais meio dia de cama, ela teria corrido até o metrô mais próximo e só se daria conta de que era sábado depois de uma baldeação e mais três estações. Olhou-o, sorrisos crescentes, largou a bolsa em qualquer lugar e jogou-se naquele abraço onde se sentia tão bem. Sem sapatilhas, enquanto ele tratava de desabotoar as casas trocadas.